(Dm 26/7/09)
Leitura bíblica: João 6:68.
Introdução: Passaram esta semana 40 anos sobre a ida do Homem à Lua, através da Missão Apolo 11 (EUA). Foi um grande feito, para a época, mas é apenas mais um episódio na longa história do ser humano. A história de, desde os primórdios da civilização humana, o homem sempre tentar conquistar a eternidade. Eis alguns desses episódios:
1. Torre de Babel: querer chegar ao lugar (físico) de Deus. 2. Os mitos da fonte e do elixir da juventude (uma forma de fugir à radicalidade da morte). 3. Heróis e epopeias (eternidade através da memória). 4. Artes e Letras (as obras eternizam o nome do autor). 5. Ciência e Tecnologia (Espaço, Medicina, células estaminais, etc). 6. Descendência (um filho é um pouco de nós que subsiste).
Porquê esta sede de eternidade?
1. Imago Dei: porque a imagem do Deus Eterno está gravada na nossa humanidade. Deus é Espírito. Deus é Eterno. Nós somos seres espirituais, logo, ansiamos pela eternidade. 2. Tendência Actualizante: Carl Rogers teorizou que todo o ser humano tem uma tendência inata para o desenvolvimento. Não é mais do que a “marca divina” em nós. 3. Tirando a dimensão da eternidade, seremos apenas “pó e trevas” como dizia Horácio, poeta grego da Antiguidade.
Conclusão: Habita em nós, como seres humanos, a dimensão da eternidade. Há uma escolha a fazer entre a forma como vamos passar essa eternidade: na presença e plenitude de Deus ou na sua completa ausência. Jesus Cristo veio dizer que essa escolha é apenas nossa, pessoal. Como queres passar a eternidade? Queres dizer como Pedro: “Para quem iremos nós se tu tens as palavras da vida eterna?”.
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(19/7/09)
Leitura bíblica: 2 Coríntios 4:5-7.
Introdução: depois de doutrinar e de corrigir muitas más práticas da igreja de Corinto, na sua I Epístola, Paulo vem agora falar da centralidade do seu ministério e pregação (Cristo), e comparar-nos a “vasos de barro”, que não se confundem com a excelência do “tesouro” (Jesus Cristo) que transportam. Acontece que alguns, para marcarem este contraste, quase comparam o barro a lixo, mas o barro não é lixo, e tem o seu valor…
Características do barro:
1. Simplicidade: não é um material nobre mas simples, “humilde” (Rm 9:20). Nós somos Criação e não Criador…
2. Maleabilidade: é um material modelável (Rm 9:21) pelo oleiro.
3. Fragilidade: “(as nações) serão quebradas como vasos de oleiro”(Ap 2:27).
4. Durabilidade: carga de navios afundados há séculos; os manuscritos do Mar Morto (Qram). Fala-nos de eternidade.
5. Representatividade: representa a condição humana (Adão foi feito do barro).
6. Preservação (é o melhor material para preservar coisas importantes e essenciais): a) Água fresca (Salvação): nada como uma bilha de barro; b) Azeite (E. Santo); c) Papiros (Palavra).
Conclusão: Não te menosprezes, meu irmão. És barro, é certo, mas o barro é o material de que Deus te fez. O barro tem qualidades. Todavia deixa que o “tesouro” que está em ti (Cristo) se evidencie. “Importa que Ele cresça e que eu diminua”. Quando foi a última vez que deixaste Cristo agigantar-se dentro de ti, e reduzis-te a tua carne ao nível do barro?
(Domingo 12/7/09)
Leitura bíblica: Êxodo 20:1-6; Mateus 22:36-40.
Introdução: vivemos numa sociedade mediática, grande promotora, construtora e sustentadora da idolatria moderna, ídolos humanos, para alimentar as multidões.
1. O que é a idolatria? a) O princípio da idolatria (v3) b) A prática da idolatria: i. “imagem de escultura ou semelhança” (confusão) (v4) ii. “encurvar a elas” (v5) iii. “servi-las” (v5).
2. Latria e dulia (tentativa de contornar a questão). Mas há uma idolatria moderna.
3. Algumas tendências idolátricas na sociedade actual:
a) Especismo: uma teoria ético-filosófica que sugere que homem e animal são uma e a mesma coisa (heranças milionárias a animais; cães perigosos); b) Ecologia: a ideia de que a Natureza é mais importante do que a humanidade (Gn 1:26); c) Ideologias políticas ou religiosas: o deus-dinheiro, o deus-mercado, o deus-Estado, o deus-denominação religiosa; d) Clubismo desportivo exacerbado ou fanático; e) Figuras públicas: Cristiano Ronaldo; Michael Jackson.
Conclusão: que possamos rever os nossos procedimentos e coração, comparando-os com a prática da idolatria moderna, e verificar se Deus está efectivamente, não apenas em primeiro lugar, mas no lugar único em matéria de “divindade”. Podemos gostar de animais, da Natureza, do pensamento (ideias), de futebol, de música, mas não podemos ter nada nem ninguém no lugar de Deus na nossa vida (filhos, prazeres, talentos, carreira, profissão, religião, etc).
(28/06/09)
Leitura bíblica: 2 Coríntios 12:9-10.
Introdução: A religião hedonista substituiu a religião da cruz. O Salvador da alma foi substituído pelo “salvador da pele”! O que importa já não é ser salvo ou agradar a Deus, mas apenas receber as bênçãos de Deus. É o evangelho cor-de-rosa, sem sofrimento, dificuldades ou tribulação. Vir à igreja passou a ser sinónimo de “receber” em vez de “dar”. A igreja deixou de ser um centro de adoração para ser uma farmácia.
Alguns equívocos: 1. “Minha é a prata e meu é o ouro” (Ag 2:8), refere-se à glória do templo do Senhor, e não a qualquer promessa de riqueza pessoal. 2. Cristo chamou-nos para o servir e não para nos servirmos dele: “Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a cada dia a sua cruz, e siga-me” (Mc 8:34). 3. E no tocante ao seu reino, ele foi bastante claro e sincero ao dizer: “o meu reino não é deste mundo” (Jo 18:36). 4. Os que pregam um cristianismo hedonista dizem que nunca ninguém saiu triste da presença de Jesus, pois Ele sempre correspondeu às suas expectativas, mas ignoram o caso do jovem rico que se afastou de Jesus, triste (Mt 19:21-22).
Outros equívocos: Por outro lado há quem pense que Jesus é um fariseu enfurecido. E nesse zelo exacerbado e cego, optam por um ascetismo hipócrita, isolam-se das pessoas e olham o mundo como inimigo, e não como objecto do amor de Deus (Jo 3:16). Comportam-se como separatistas radicais e violentam a individualidade humana ao impor uma série de proibições absurdas, como “não toques, não proves, não manuseies” (Cl 2:20-21); esquecem que Jesus nunca se escondeu das pessoas com medo de se contaminar. Ele comia com os pecadores, participava em festas, e inaugurou o seu ministério público com o milagre de transformar 600 litros de água em vinho da melhor qualidade! (Jo 2:1).
Conclusão: Ambos os grupos desconhecem Jesus. Dizem conhecê-lo e servi-lo, mas adoram um ídolo forjado por si mesmos. Ambos pisam a graça divina, pois se o hedonista não pensa nas coisas espirituais e anela um céu na Terra, o legalista deseja até morar no céu, mas não está disposto a confiar na graça de Deus: quer pagar a renda. Simonista, ele espera comprar o dom de Deus mediante a observância de certas práticas.
(31/5/09)
Leitura bíblica: I Reis 19:8-19.
Introdução: O profeta Elias, repetida e grandemente usado por Deus, após uma ameaça de morte da rainha maldita, Jezabel, encontra-se exausto, deprimido, refugia-se debaixo de um zimbro, e pede a Deus que o mate, pois já não aguenta mais. Depois de comer e beber caminhou 40 dias e 40 noites até ao Monte Horebe, “o monte de Deus”. Apesar do seu estado depressivo, Elias procurou a presença de Deus (8). Chegado aí escondeu-se numa caverna (9). Mas o lugar de um profeta não é numa caverna. Na Bíblia as grutas, cavernas ou cisternas são uma representação da protecção divina. Para os antigos, refugiar-se numa gruta era natural, durante a noite ou numa tempestade. Deus vem então ter com Elias e questiona-o (9). Elias queixa-se de solidão e perseguição, apesar da sua fidelidade (10). Deus chama-o para fora da caverna e manifesta-se-lhe de diversas formas: Como vento forte (11); depois como terramoto (11); depois como fogo (12); e finalmente como voz mansa e delicada (12). Com todas estas manifestações parece que Deus tentou mostrar-se a Elias como Deus de todo o poder (dominador da Natureza: ar, terra e fogo); mas também como seu o Deus pessoal (“uma voz mansa e delicada”), que o podia entender nas suas dificuldades pessoais, íntimas e emocionais. É curioso que só quando Elias ouviu a voz de Deus ousou sair para fora da caverna (13). Veio então, de novo, a mesma pergunta e a mesma resposta (13-14).
Conclusão: Elias conhecia o poder de Deus (Monte Carmelo), mas talvez não o amor de Deus (“uma voz mansa e delicada”). E só quando reconhece a Sua presença volta ao caminho. Deus nunca desistiu dele, sempre se importou com ele, com o que fazia ou como se sentia. Deus acalmou Elias dizendo que coisas no reino de Israel não eram assim tão graves: sete mil pessoas não se tinham curvado nem beijado Baal (18). “Sai para fora, Elias!” Alguns precisam sair para fora de sepulcros (o endemoninhado de Gadara; Lázaro), outros de cavernas (Elias). Sai para fora da tua caverna e ouve a voz “mansa e delicada de Deus” a indicar-te o caminho e a garantir-te livramento.
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