(Ceia, 1/8/10)
Leitura bíblica: Hebreus 10:19-25 (23).
Introdução: O autor da epístola exorta aqui os cristãos à perseverança, à firmeza na fé. Vivemos hoje em dias de ilusão (consumismo, felicidade sem sofrimento, do prazer sem dor), mas a Igreja é agente de Esperança.
Definição de Ilusão: um “engano dos sentidos ou pensamento”; “o que se nos afigura ser o que não é”; “ uma quimera”.
Definição de Esperança: uma “expectativa”; uma “coisa que se espera”; “confiança”.
Se estivéssemos no deserto poderíamos dizer que a ilusão é uma miragem (aquilo que parece mas não é); mas a Esperança é um oásis verdadeiro (aquilo que não se vê, mas está lá)”Porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará? (Rm 8:24).
Diz-se quer a mulher grávida está “de esperanças”, não iludida.
Diferenças entre ilusão e Esperança:
1. A ilusão é construída sobre fundamento fraco, ao contrário da Esperança.
2. A ilusão baseia-se no engano (“engano dos sentidos ou pensamento”), mas a Esperança não engana (oásis).
3. A ilusão pode morrer (e destrói a pessoa), mas a Esperança nunca morre.
4. A ilusão é uma distorção da verdade (realidade), mas a Esperança é a antecipação da verdade (realidade).
5. A ilusão faz da vida um jogo, a Esperança faz da vida uma oração.
6. A ilusão pode motivar uma pessoa, mas é a Esperança que dá à pessoa uma razão para viver (André Malraux: “A esperança dos homens é a sua razão de viver e de morrer”).
7. A ilusão faz-nos lamentar e chorar, a Esperança leva-nos a louvar e agradecer a Deus.
Abraão: exemplo de fé e Esperança (Hb 11:10).
Conclusão: Vivemos tempos de muita ilusão e pouca Esperança (nos relacionamentos, na vida económica e financeira, no emprego, no futuro). Passemos da ilusão à Esperança. Mas encontremos um fundamento sólido para a nossa esperança. “Agora, pois, SENHOR, que espero eu? A minha esperança está em ti.” (Salmo 39:7) Troca as tuas ilusões pela Esperança em Deus, porque “fiel é o que prometeu” (Hb 10:23).
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(Dm, 25/7/10)
Leitura bíblica: João 12:32.
Introdução: Ao ler o testemunho de inúmeras figuras da fé cristã, ao longo da História, compreendemos a atracção que a presença de Deus sobre elas exercia. O mesmo acontecia com as figuras da história bíblica. Enoque andava com Deus. Noé era amigo de Deus. Moisés esteve com Deus no monte Sinai e o seu rosto resplandeceu. Jacob lutou com Deus. David, o Salmista, suspirava por Deus. Jesus retirava-se frequentemente da presença dos discípulos para estar em intimidade com o Pai. Paulo foi arrebatado até à presença de Deus. João Evangelista teve o privilégio de ver Jesus glorificado em Patmos. Deus é uma espécie de íman para aqueles que o amam e o buscam. Se estivermos dentro do seu campo magnético somos atraídos, se estivermos fora, já não…
1. O que é o magnetismo? É uma força poderosa que atrai.
2. Que aplicações tem? Bússolas (o núcleo da Terra é magnético: lei da gravidade), motores, computadores, etc.
3. O efeito magnético do cristão. Se o cristão não atrair está a passar ao lado da sua vocação. Se repelir, não é o espírito de Deus que está nele. Se for neutro, também não, é como o sal que não salga (insípido) e só serve para deitar fora.
4. Como podemos entrar no campo magnético de Deus? O Espírito Santo aponta para Jesus (como fez João Baptista) e guia-nos ao Pai. Paulo chama à Lei um “aio” que nos conduz a Cristo. Poderíamos dizer o mesmo do Espírito Santo.
5. Quando não estamos no campo magnético de Deus estamos noutro qualquer. Sujeitos a outras atracções e seduções.
Conclusão: Ariovaldo Ramos fala de duas igrejas, a da multidão (que procura Deus pelo que Ele pode fazer) e a dos discípulos (que o segue pelo que Ele é). Os verdadeiros discípulos são atraídos por aquilo que Deus é, e não pelo que Ele faz… É o amor de Cristo que nos “constrange”, que nos atrai ao Calvário, que nos atrai a Ele.
Convite: Entra no campo magnético de Deus. Deixa-te atrair a Cristo, sem reservas e sem medos.
(Domingo 18/7/10)
Leitura bíblica: II Reis 4:1-7.
Introdução: Contextualização. Aspectos a considerar à partida:
a) Esta mulher não tem nome, pode ser qualquer pessoa: uma mulher traída, um homem desempregado, um alcoólico, um toxicodependente. b) As pessoas contraem dívidas. Umas por necessidade, outras por má gestão. c) Deus, o Provedor, tem sempre solução para as nossas dificuldades.
O processo da superação da crise:
1. Procurar a pessoa certa (1) O nome de Eliseu significa “Deus é salvador”. 2. Vamos a Deus quando já não temos resposta (2a): “Que te hei de eu fazer?” 3. Valorizar o que se tem (2b) 4. É a partir do que já temos que devemos encontrar solução e não fora da nossa “casa” (idem) 5. Ser família/comunidade (3) 6. Não colocar limites à Fé (3b) 7. Obedecer (4): para operar, Deus não necessita de espectáculo ou efeitos especiais. Precisa-se cultivar mais a intimidade com Deus… 8. Agir em fé: se a mulher não agisse em fé teria pedido poucas vasilhas, logo, teria recebido pouco azeite… 9. O que necessitamos mesmo é de azeite (ES). 10. As crises existem para nos fortalecer, para sairmos delas mais fortes (7c). Deus fez mais do que simplesmente cuidar do problema da viúva. Ela não só vendeu o azeite para pagar as dívidas, mas teve de sobra o suficiente para continuar a viver.
Conclusão: Deus opera os milagres na nossa vida, mas não dispensa o nosso trabalho, obediência e humildade diante dos problemas da vida, pois as promessas de Deus são condicionais. Queres tu valorizar o que tens (muito ou pouco) e colocá-lo nas mãos de Deus?
(Dm 11/7/10)
Leitura bíblica: Mateus 22:36-39.
Introdução: Há dois extremos entre os quais o ser humano balança frequentemente. Entre Horácio (“Somos apenas pó e trevas”) e Narciso (que se apaixonou pela própria imagem reflectida no lago). Precisamos de equilíbrio.
Como me posso aceitar, se fui rejeitado? 1. Jesus foi a pessoa mais rejeitada deste mundo, mas não rejeita ninguém. 2. Jesus disse claramente: “O que vem a mim de maneira nenhuma lançarei fora.” (João 6:37) 3. Dizia o Salmista: “Porque, quando meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR me recolherá” (Salmo 27:10).
Como posso gostar de mim? 1. Ter consciência de que sou um edifício em construção. 2. As minhas angústias são as mesmas de grandes homens e mulheres de Deus do passado e do presente. Não há super-estrelas no reino de Deus. 3. Leitura: Romanos 7:14-8:2.
Como posso amar-me, se não sou amado? 1. “I suggest we love ourselfs before its made ilegal.” (B. Boyd). 2. O falso amor do mundo (criar heróis e derrubá-los). 3. Deus ama-me e isso é o que importa: “Deus é amor”; “Porque Deus amou o mundo de tal maneira”.
Conclusão: Precisamos de buscar o equilíbrio.
1. Devemos pensar de nós com moderação, isto é, equilíbrio: “Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um” (Romanos 12:3).
2. A forma como estimo os outros está ligada à forma como me estimo a mim mesmo: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo” (Filipenses 2:3).
3. Somos “um pouco menores do que os anjos”: ler Salmo 8.
4. O factor que nos permite gostar de nós é a graça de Deus que está em nós. Assim como gostamos de um filho, mesmo quando nos entristece e desagrada, porque o nosso sangue corre nas suas veias: “Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (1 Coríntios 15:10).
(Ceia, 4/7/10)
Leitura bíblica: Mateus 22:34-40.
Introdução: Jesus foi questionado sobre o grande mandamento, pelos fariseus, logo após o diálogo com os herodianos, sobre a legitimidade do pagamento de impostos a Roma, e da conversa com os saduceus sobre a ressurreição. Os fariseus questionaram-no então sobre qual era o grande mandamento na lei, tentando encontrá-lo em erro, contradição ou heresia. Mas o Mestre (que já os tinha acusado de não conhecerem “nem as Escrituras nem o poder de Deus” – v 29), explicou-lhe então o que acabámos de ler.
1. Nenhum crente questiona, na teoria, o primeiro mandamento (37). Mas na prática, o que significa isto? O que é amar a Deus com inteireza de coração (sentimentos; emoções), com inteireza de alma (vontade), e com todo o pensamento (mente)? O que significa então entregar a Deus as minhas emoções? Submeter a minha vontade à Sua? Sujeitar-lhe os meus pensamentos? 2. Este mandamento contempla dois planos: o plano pessoal, individual (a minha relação com Deus), mas também o plano comunitário, relacional (a minha relação com os outros). Então eu amo a Deus fazendo a sua vontade na minha vida, mas também amo a Deus na medida em que consigo amar os outros. 3. É por isso que Jesus ensinou que o segundo mandamento (39) era “semelhante a este”. 4. Reparem que no primeiro mandamento, a medida é absoluta: inteireza, plenitude (“de todo”). Mas no segundo a medida é condicional e relativa (“como a…”). A razão é que Deus há só um, mas próximos há muitos… 5. Se me aceito, posso aceitar o outro; se gosto de mim, posso gostar do outro; se me amo a mim mesmo, posso amar o outro. O mundo está cheio de problemas relacionais porque as pessoas não conseguem amar o Outro, visto que não se amam. O discurso do miserabilismo, a canção da desgraçadinha, a raiva do espelho, estão a acabar com a possibilidade de amar a Deus na pessoa do próximo. 6. Por último, Jesus ensinou que sem isto nada mais conta (40).
Conclusão: Amar a Deus, amar o próximo e amares-te a ti mesmo, está tudo ligado. Por exemplo, uma pessoa que não gosta de si, não pode amar Deus nem os outros.
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