“Deus trabalha de uma forma curiosa”
1 – Como começaste a ir à Igreja?
Comecei a ir à Igreja tinha os meus 15 anos. Quando passei para o 10º ano um colega (Joel Soares – hoje mano!!!) era crente e falava de Jesus de uma forma coerente sempre que o assunto surgia e os seus comportamentos marcavam a diferença. Mas isso, inicialmente, não chegou porque estava sempre a brincar com a situação. Um dia convidou-me para ir a uma reunião dos jovens à tarde. E lá fui eu. Mas fiquei sempre à parte. O grupo bem me tentou chamar para junto deles mas eu só dizia “estou bem aqui obrigado”. E o esforço que eu fiz para não me rir quando os vi a orar… Mas o tempo passou e Deus trabalha de uma forma curiosa. E fui-me envolvendo com as pessoas, com o Deus de misericórida e amor que me era apresentado até que no dia 22/3/02 numa reunião igual àquela em que me isolei (o Clube T na altura); passado 7 meses estava a baptizar-me. E até hoje tem sido um processo e uma caminhada diária.
2 - Ao longo da tua caminhada com Deus, foste “chamado” a servir com adolescentes. Qual o impacto dos Discípulos na tua vida e como é servir com uma faixa etária tão especial?
É incontornável não falar do Clube T, novamente. Numa das reuniões a líder da altura (Filipa Lino) estava a falar sobre Dons e servirmos na Obra de Deus. Enquanto ela partilhava as necessidades da Igreja, as quais se incluia um ministério de pré-adolescentes. E face a isto houve um sentimento, um despertar diferente. O qual foi reforçado após conversa com outras pessoas na sala. Por exemplo, o Luís Fernandes que iniciou o ministério comigo em Setembro de 2004 e a Filipa Lino que foi incansável na estruturação de todo o trabalho. Para além da responsabilidade, tem sido um trabalho brutal. Investir na vida deles, organizamos actividades, aprendermos mais de Deus (sim eu também aprendo!!!) , e vivenciar momentos únicos…
3 - Foste considerado um aluno brilhante, com uma nota excelente. Como foi para ti, estudar e servir a Deus em simultâneo?
Foi uma tarefa árdua mas ensinaram-me muito bem a lição: tudo passa por uma questão de gestão de tempo. Por exemplo, sabia que ao Sábado à tarde tinha reunião, à noite ensaio e no Domingo de manhã culto. Sendo assim, organizava toda a minha semana de trabalho e estudo sabendo que não podia utilizar esse tempo para fazer coisas da universidade. Sem dúvida que implicava esforços extras em determinados dias, em determinadas semanas mas depois o facto de estar livre naquele tempo para servir a Deus e estar junto daqueles que amamos é gratificante. E com isto a fidelidade de Deus manifesta-se…
4 - Recentemente escreveste um livro, fala-nos um pouco acerca dele e, numa prespectiva cristã, como o encaras?
É um livro com uma temática muito séria e que merece especial reflexão. Este livro vem no seguimento do meu estágio académico e do meu trabaho de final de curso. É um livro que tem uma dupla missâo: a missão de informar porque muito se desconhece sobre os crimes sexuais; e a missão de prevenir visto que só podemos agir quando tomamos consciência das coisas. Como refiro nos agradecimentos é um livro que pretende ser um contributo para que vidas de crianças não sejam atropeladas por adultos, inclusive as crianças com quem trabalho. Por outro lado, a missão árdua de perdoar alguém que comete um acto abominável e condenável.
5 – Como é para ti, servir não só nos Discípulos, mas também com os “mais velhos”?
Ora bem, servir com os mais velhos era algo que não estava à espera mas quando a proposta foi feita e pela equipa que ia estar envolvida não hesitei. E está a ser uma experiência igualmente fantástica. Alguns dos jovens do grupo foram antes crianças que acompanhei e voltar a estar perto, bem como, acompanhar com mais proximidade o crescimento deles nos planos de Deus é algo que me deixa muito contente. Funciona também como motivação extra para continuar a investir na vida dos mais novos porque os frutos irão surgir, apesar das dificuldades. Por outro lado é igualmente enriquecedor estar com adultos jovens e partilhar uma caminhada para a mesma meta.
6 – Tens algum versículo, em especial, que queiras partilhar com os Jovens?
A Bíblia toda! Existem sem dúvida versículos que me são muito especiais e que são pilares essenciais no meu caminhar diário com Deus. Por isso deixo dois. Posso?
Mateus 22:37 – “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento”.
Salmos 37:4-5 – “Busca Tua felicidade no Senhor e Ele te concederá os desejos do teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor, confia Nele e Ele tudo fará”.
7 – Que mensagem queres deixar a todos aqueles que lerem esta entrevista?
Gostava de deixar uma mensagem de incentivo a uma busca diária, a uma intimidade diária com Deus. Está na altura da juventude e da Igreja em geral deixar de brincar aos crentes. Para além de se ter em mente que Deus abre caminhos, mas caminhar é connosco! Deus vos abençoe fortemente.









