
“Ao fazermos teatro cristão estamos a pôr em evidência as características de Deus”
1.- Como chegaste à igreja e que impacto teve na tua vida.
Corria o ano 2003 quando decidi aceitar o convite de um amigo meu para conhecer a sua igreja, uma igreja evangélica, a igreja do Jubileu. A curiosidade era muita, pois a minha educação era católica, tinha frequentado escuteiros e catequese, no entanto nada destas coisas me tinha preenchido. Lembro-me perfeitamente desse primeiro dia, a primeira música que lá ouvi foi a “troco a vergonha” cantada pela Isabel, e curiosamente, nesse primeiro culto houve um pequeno sketch, aquele do cérebro, e dos braços, as várias partes do corpo… alguns devem lembrar-se! Admito que o facto de ter tido teatro logo no primeiro dia em que fui à igreja, ajudou a que eu ficasse deslumbrada, mas essencialmente o que mais me chamou à atenção foi a grande liberdade de expressão que encontrei naquele lugar. Ali as pessoas louvavam a Deus de coração aberto, sem se reprimirem. Era aquilo que eu queria para a minha vida, queria ter a intimidade com Deus que aquelas pessoas tinham. A perseverança desse meu amigo foi fundamental, sei que orou por mim muitas vezes em todo este processo, ainda hoje esse meu amigo, e namorado, o Joel, é um grande apoio espiritual para mim. Dois dias depois desse primeiro culto, no dia 17 de Junho de 2003, ele fez comigo a oração em que entreguei o meu coração e toda a minha vida nas mãos de Deus e aceitei Jesus como Senhor e Salvador da minha vida. Nesse dia o Joel disse-me que estava a haver festa no céu pela decisão que eu tinha tomado, e sei que também partilhou a novidade com o Mauro e ele se tinha alegrado muito. Na altura eu não entendia o porquê de tanta festa, mas com o tempo eu percebi que naquele dia eu tinha tomado a decisão mais importante da minha vida, e desde aí tenho visto Jesus trabalhar em mim, moldando-me e acrescentando-me.
Nunca desistam de conquistar os vossos amigos e familiares para Cristo, é das maiores alegrias que se pode ter! Sejam perseverantes na oração e mostrem-lhes o caminho. Eu sou a prova viva que funciona!
2.- Fala-nos um pouco sobre o gosto pelo teatro e de que forma isso tem sido canalizado para o serviço na Igreja.
O gosto pela representação já vem desde criança, acho até que já nasceu comigo. Na igreja percebi que o teatro também podia ser útil, pois as peças são mais uma ferramenta eficaz para se transmitir a palavra de Deus. A minha primeira peça na igreja foi ainda em 2003, em Dezembro. Surgiu no âmbito do clube T, era preciso alguém para encenar e de uma maneira natural passei a ser eu a ficar responsável por todas as actividades nesta área. Com o passar dos anos começou a surgir a necessidade de se criar um ministério de teatro, para que os envolvidos começassem a ter o seu espaço, a receber formação e a desenvolver actividades próprias. Assim, a 17 de Junho de 2006, curiosamente 3 anos depois de eu ter aceitado Jesus, surgiram os ICHTHUS (que significa, Jesus Cristo, Deus, Filho e Salvador).
3.- Achas que o ministério de teatro nas igrejas é pouco explorado. O que achas que falta?
Para além de pouco explorado penso que é também subestimado. A arte de representar não serve apenas para entreter as pessoas. As representações verdadeiramente inspiradas na palavra de Deus têm poder! Quer sejam peças de teatro, ou filmes, ajudam-nos a ter percepção de certos exemplos de uma maneira mais concreta e real. Fazem-nos reconhecer comportamentos e reflectir sobre eles. Já li testemunhos de pessoas que admitem que já restauraram relacionamentos e outros que vieram à salvação, após terem assistido a peças cristãs. Por tudo isto, é um ministério que deve ser mais desenvolvido nas igrejas.
4.- Relativamente ao Grupo de Teatro Ichthus, o que gostavas de fazer, enquanto ferramenta de evangelização e de difusão da palavra de Deus?
A médio prazo quero retomar os cafés-teatro. Era uma actividade que estava a ter bastante adesão, quer por pessoas da igreja, quer por pessoas de fora, por isso acho que recuperar esse formato de teatro e debate em volta de um ambiente acolhedor, será uma mais-valia para todos. A longo prazo gostava de por em prática o projecto JubiDrama, que consiste num concurso de grupos de teatro cristão.
5.- Consideras o teatro uma forma de adorar?
Sem dúvida. Ao fazermos teatro cristão estamos a pôr em evidência as características de Deus, as maravilhas que Ele fez e ainda hoje faz. É outra maneira de declarar que Deus que Ele é poderoso, que Deus é amor, e ao participarmos nas peças estamos também a adorá-Lo.
6.- Tens algum versículo em especial, que te tenha marcado e queiras partilhar?+
Vários versículos já me marcaram de muitas maneiras, mas partilho com vocês um versículo que andou comigo na carteira nos meus primeiros tempos de crente… “6 Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com acção de graças.7 E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” Filipenses 4:6,7
7.- Que mensagem podes deixar a jovens que queiram servir a Deus na área teatral/dramática?
Servir num ministério da igreja é um trabalho que deve ser encarado com a maior seriedade. É um privilégio servirmos na casa de Deus e por isso devemos estar gratos pela oportunidade. É uma chamada que exige entrega, dedicação, responsabilidade e muitas vezes sacrifício. Sacrifício esse que é sempre compensado cada vez que vemos o nome de Deus ser exaltado. Servir na área do teatro implica todas estas coisas, aliadas ao dom de representar. Uns com mais facilidade que outros o importante é o gosto por servir nesta área, pois Deus sempre capacita os escolhidos!
“ E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.” Colossenses 3:17









